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Número nº 3 -
Abril/Maio/Junho de 2003
O Cão d´Água Português
Raça que se encontrou à beira da
extinção, e entrou para o Guiness na década de 70, como a raça canina com
menor número de exemplares. Actualmente conta com um número significativo
de exemplares inscritos no LOP, para o qual contribuiu um número
significativo de pessoas amigas desta raça.
Para essas pessoas, o meu muito obrigado e que este artigo possa ser mais
um incentivo para que consigamos enaltecer esta raça e tentar dar a
conhecê-la ainda mais.
Aos possuidores de animais desta raça não registados aqui vai o meu
pedido: tentem saber se os vossos animais obedecem ao estalão oficial e
tentem registá-los, pois só assim poderemos saber ao certo quantos
exemplares existem no país.
Àqueles que desconhecem a raça, deixo-lhes aqui as aptidões e qualidades
destes animais.
É usual dizermos que o cão é o melhor amigo do homem e os exemplares desta
raça demonstram-no bem, com o carinho que oferecem aos seus donos e a sua
presença sempre pronta. São companheiros de tal maneira apegados aos seus
donos que muitos já ganharam a alcunha de “Sombra” ou “Cola”.
Encontram-se enquadrados no grupo de raças de trabalho e se na actualidade
são animais de companhia, outrora foram trabalhadores aplicados. Os
pescadores utilizaram-nos ao longo de anos na faina da pesca. Eram
considerados elementos da tripulação, com direito ao seu quinhão, sendo
responsáveis pela recaptura do peixe que fugia das redes, pela recolha dos
objectos que caíam à água e servindo também de elemento de ligação entre
várias embarcações.
A habilidade para nadar e mergulhar são das suas principais
características. Com uma robustez e resistência invejáveis a muito atleta
olímpico, consegue manter-se a trabalhar na água por tempo indeterminado.
São animais musculosos, de formas harmónicas, com um olhar penetrante e
atento. São alegres, voluntariosos, têm porte altivo, boa sensibilidade
olfactiva e visual - apesar de num dos tipos da sua pelagem, os pêlos lhes
taparem os olhos. Levanta-se uma interrogação: se têm os olhos tapados,
como podem ter uma sensibilidade visual assim tão boa?
Mas este é um facto confirmado ao longo dos anos. A sua cabeça é bem
proporcionada, forte e larga, com uma boa dentição em que se realçam os
caninos.
Em próximos artigos tentarei continuar a informá-los acerca da situação em
que se encontra a raça e de tudo o que tem sido efectuado em seu
benefício.
Armando Cruz
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Revista nº 6 -
Junho/Julho/Agosto de 2004
Afinal que patologias podemos nós adquirir através dos animais?
A Toxocaríase:
Esta patologia trata-se de uma infecção que se verifica quando as larvas
de certos vermes, existentes no intestino do cão e gato, invadem os
nossos órgãos. Os ovos do parasita amadurecem no solo contaminado por
fezes de cães e gatos infectados. Os recintos com areia onde as crianças
costumam brincar, tornam-se deste modo, bastante perigosos, visto que são
locais onde estes animais costumam defecar. Os ovos podem ser transferidos
directamente para a boca de uma criança se esta brica nestes locais
contaminados e ingere a areia.
Encontrando-se no
organismo, os ovos amadurecem no intestino e as larvas atravessam a parede
intestinal, sendo disseminadas através do sangue. As larvas podem
continuar vivas durante alguns meses, causando danos na sua migração para
os tecidos do organismo e provocando, consequentemente, inflamações em
torno destes. Quase todos os tecidos do corpo podem ficar afectados, no
entanto os mais atingidos são sobretudo o cérebro, os olhos, fígado,
coração e pulmões.
Quais
os Sinais e Sintomas?
Esta patologia diagnostica-se pela análise da expectoração e por uma
biopsia ao fígado;
Nas crianças entre 2 e 4
anos verifica-se uma infecção relativamente ligeira (crianças maiores e
adultos também podem ser afectados);
Os sintomas podem surgir
após várias semanas ou até meses depois da infecção;
Em primeiro lugar surge
febre, tosse, respiração ruidosa e aumento do volume do fígado;
Em algumas pessoas podem
surgir erupções cutâneas, tumefacção do baço, pneumonias repetidas e
convulsões;
Em crianças a partir dos
quatro anos surgem sintomas ligeiros ou, por vezes, nenhuns. No entanto,
também é possível que desenvolvam uma lesão ocular que diminui a visão.
Prevenção e
Tratamento:
Desparasitações frequentes em cães e gatos infectados, particularmente se
têm menos de 6 meses de vida (começando antes da 4 semanas de vida);
Cobertura de recintos
com areia, aquando da sua não utilização, de modo a evitar a defecação
destes animais no local;
Nos humanos a infecção
costuma desaparecer, sem tratamento, num período que se estende de 6 a 18
meses;
Seja qual for o
tratamento a sua eficácia não está assegurada, no entanto, casos graves de
toxocaríase requerem tratamento hospitalar.
Joana Ferrolho - Medicina
Nuclear
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